04 de junho, 2018
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Veja é condenada por fake news de 2015 sobre Padilha e Thassia, por Blog da MARIA FRÔ

Alexandre Padilha e Thassia Alves vencem a mentira. Diário de Justiça publicou que a revista deve pagar indenização ao casal por danos morais. Blog da MARIA FRÔ - revista Fórum via Site do PT postada em 04/06/2018 16h16

A Justiça de São Paulo condenou na sexta-feira (1) a revista Veja e o repórter Felipe Moura Brasil por danos morais devido a uma notícia falsa divulgada em 2015 envolvendo o ex-ministro Alexandre Padilha e Thassia Alves.

Com a condenação, a revista e o repórter, que atualmente trabalha no blog O Antagonista, terão que pagar indenização ao casal por publicar uma fake news afirmando que Thassia, diagnosticada com pré-eclâmpsia grave, teria levado sua filha recém-nascida para a UTI de um hospital particular em detrimento do Sistema Único de Saúde.

A blogueira Maria Frô conversou com Thassia e divulgou um texto sobre o caso na revista Fórum. Leia na íntegra:



Alexandre Padilha e Thassia Alves vencem a mentira: Veja é condenada por fake news de 2015 - Blog da Maria Frô (revista Fórum) em 04/junho/2018

Em 12 de fevereiro de 2015, o Brasil vivenciou um show de horror protagonizado por médicos sem ética e um jornalismo que há tempos não sabe o que significa fazer jornalismo.

À época, o casal Alexandre Padilha e Thassia Alves vivia momentos de grande alegria, apesar da tensão devido ao nascimento prematuro de sua filha Melissa, que ficou na UTI do hospital e maternidade municipal de Vila Nova Cachoeirinha durante 28 dias.

Três anos depois, o casal ganhou o processo contra a revista Veja, que condenou Felipe Moura Brasil e a revista por danos morais. Na última sexta-feira (01/06) o diário de Justiça publicou a decisão.

Fóruns Regionais e Distritais XI – Pinheiros Cível 2ª Vara Cível - Processo 1000017-93.2017.8.26.0011 – Procedimento Comum – Indenização por Dano Moral – Alexandre Rocha Santos Padilha e outros – ABRIL COMUNICAÇÕES S.A – Felipe Moura Brasil – Ante ao exposto, JULGO PROCEDENTE a presente demanda, e julgo extinto o feito, com fulcro no art. 487, inciso I, do Código de Processo Civil, para condenar os réus, solidariamente, ao pagamento de indenização por dano moral ao autor no valor de R$ 10.000,00, atualizado pela Tabela Prática para Cálculo de Atualização Monetária dos Débitos Judiciais do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo desde a propositura da ação, com juros de mora de 1% ao mês desde a citação. Em face da sucumbência dos réus, condeno-os ao pagamento de custas e despesas processuais, bem como honorários advocatícios que fixo em 15% do valor da condenação. P.R.I. – ADV: ALEXANDRE FIDALGO (OAB 172650/SP), JOÃO VICENTE AUGUSTO NEVES (OAB 288586/SP).
Hoje pela manhã pedi a Thassia que rememorasse aquele mês de fevereiro de 2015:

“Eu acho que nenhuma mulher quando dá à luz a uma criança está preparada para voltar para a casa sem o seu bebê nos braços. Eu ainda não tinha me recuperado do fato de ter de deixar meu bebê na UTI quando saiu a matéria da Veja. Fiquei um dia internada na UTI, mais dois internada fora da UTI e passei 28 dias indo diariamente ao hospital e essa matéria obviamente teve uma repercussão dentro e fora do hospital. Foi difícil lidar com a angústia de ver minha filha 28 dias na UTI e ter ainda de lidar com essa mentira propagada pelo colunista da Veja.

Depois dos 28 dias de internação de minha filha, fui me despedir dos profissionais do Vila Nova Cachoeirinha que estavam no dia a dia conosco, porque eu morava praticamente no hospital, só não dormia porque não podia. A matéria mentirosa teve grande impacto no hospital, algumas pessoas relataram-me que quando me conheceram ficaram apreensivas sobre quem eu era, como eu iria me comportar… Com o passar do tempo viram que eu era uma mãe como qualquer outra, com as mesmas inseguranças, receios, com o desejo de estar perto de minha filha. Perceberam que eu não era diferente. Mel era prematura não tinha força para sugar o leite, então eu tinha de ir no banco de leite tirar meu leite. Eu fazia o que todas as mães fazem: pegava fila no banco de leite, enfim tudo como pais e mães agem quando seus filhos estão filhos internados.”

Perguntei por que demoraram para processar a Veja e Thassia confessa que no momento em que a matéria saiu sua vontade era de entrar com um processo no dia seguinte, mas a saúde de sua filha prematura era a prioridade do casal. Depois, Padilha se tornou Secretário de Saúde do município de São Paulo na gestão Haddad e para o casal era importante que o processo contra Veja não suscitasse qualquer tipo de dúvidas, além do que ele efetivamente era: a busca pela verdade. Assim, só entraram na Justiça após o final da gestão petista na cidade. O processo correu sob sigilo por envolver uma criança.

Em seu depoimento hoje pela manhã, a mãe de Melissa relata os impactos que a matéria mentirosa da Veja tem até hoje:

“Ainda hoje, essa mentira vem à tona. Já aconteceu de estar conversando sobre parto com pessoas que tinha acabado de conhecer e elas citarem essa matéria da Veja. Não é brincadeira lidar com uma mentira que ganhou essa proporção, especialmente quando emocionalmente eu estava em situação de extrema vulnerabilidade.”

Ela argumenta ainda que os efeitos da mentira da Veja teve muita repercussão em sua vida privada, mas no caso de seu companheiro, Alexandre Padilha, o impacto atingiu sua trajetória como homem público:  “É importante reconhecer, há um dano que é imensurável em tempos em que a imagem dos políticos está tão deteriorada. Alexandre faz uma opção para sua vida pessoal que é coerente com aquilo que ele defende publicamente. Ele não faz nenhum uso dos privilégios. Isso tem um significado diverso daqueles que agem privadamente de modo contrário ao que pregam publicamente e a Veja acusou Alexandre disso: de não agir conforme o que ele defende publicamente. O que é uma mentira!”

Apesar da decisão favorável ao casal, a Justiça não obrigou a Veja a oferecer o mesmo espaço e a mesma divulgação para a resposta à matéria mentirosa que a revista circulou em fevereiro de 2015 e que continua em seu site. A Veja ainda pode recorrer da decisão. Pergunto a Thassia o que ela sentiu quando saiu a decisão judicial:

“A gente sabe que a mentira só pode ser combatida com a verdade. O que sinto hoje é um grande alívio, uma sensação de justiça, de que a verdade ganhou e isso é muito bacana de sentir, especialmente em tempos tão sombrios que estamos vivendo. Apesar disso a gente sabe que não tem reparação de danos. Não haverá reparação de danos suficientes que nos coloque em pé de igualdade em que estávamos antes da matéria mentirosa ser publicada.

Sabemos que não terá a mesma repercussão, infelizmente a verdade não vai chegar para todas as pessoas. Não haverá reparação de danos completa, o que pode haver é a sensação que a verdade ganhou para nós, isso é importante, mas do meu ponto de vista não tem reparação dos danos como os olhares que enfrentei no hospital depois que essa matéria foi publicada, não tem reparação de danos quando anos depois entro em contato com as pessoas que leram essa matéria na creche da minha filha, no meu local de trabalho, na rua, não tem reparação. Isso é uma coisa que tem d ser dita.

Eu acho que todo mundo tem de combater a mentira, a gente tem de estar sempre em busca da verdade. Não podemos desistir. Fui aconselhada a não entrar com o processo por conta do tamanho da Veja e tudo que ela representa, mas eu disse para todas as pessoas: tenho de fazer isso pela minha filha, tenho de contar essa história para ela um dia, do início ao fim, e eu vou fazer isso! Thassia se emociona e prossegue: Foi por nós, mas foi especialmente por ela, porque quando eu decidi que ia fazer o pré natal e fazer o meu parto no SUS foi uma decisão que pra mim era muito óbvia, porque eu não teria como fazer de outra forma, seria muito incoerente com o que defendemos se eu fosse para um hospital privado. Não só por causa da figura pública do Alexandre que é meu companheiro, mas seria incoerente com a minha própria história e da minha filha. Não poderia ser diferente.
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Há um fio de esperança, por Alexandre Padilha no seu Facebook em 04/junho/2018

Vencemos processo judicial por danos morais contra o grupo Abril Comunicações e Felipe Moura Brasil, à época colunista de Veja e hoje jornalista de O Antagonista, por “matéria” de suposto cunho noticioso que afirmava que o parto da minha companheira Thássia Alves e o nascimento de minha filha haviam sido uma “farsa no SUS”.

Não reproduzirei neste espaço mentiras e atribuídas a mim e à minha família, que foram destruídas com a apuração de testemunhas, do prontuário médico e registros do hospital. Faço aqui um esforço de reparar parte dos danos sofridos por nós, mesmo sem ilusões de que seja possível fazê-lo completamente. Afinal, a honra não é mensurável e, tampouco, quando atingida, pode ser restaurada de maneira absoluta.

Ficamos em silêncio por três anos. Acionamos a Justiça apenas no início de 2017, quando encerrei minha contribuição como secretário de Saúde do município de São Paulo, na gestão de Fernando Haddad. Isso porque, embora minha companheira tenha feito grande parte do pré-natal enquanto eu estive afastado de cargos públicos, julgamos que o correto era aguardar que eu estivesse fora da gestão, pois minha filha nasceu em um hospital administrado pelo município.

Quando ela me comunicou sua decisão de fazer o pré-natal e o parto no SUS, eu a apoiei. Thássia estava absolutamente ciente dos desafios, mas também dos cuidados, do nosso sistema público. Para ela, o mais importante era não perder a coerência da nossa trajetória. E também fugir das altas taxas de cirurgias cesárias - as “desnecessárias”, como ela chama -, tão praticadas nos partos dos planos de saúde. 

Tive orgulho da decisão da minha esposa, tomada sem falsas pretensões, por uma mulher consciente que conhece o SUS além da miopia imposta por aqueles que desejam o fim da saúde pública.

Isso porque o SUS sofre uma campanha constante de desqualificação na mídia. É a tradicional lógica "se um cachorro morde um homem, não é notícia; se um homem morde um cachorro, é”. Ou seja, enquanto o SUS que salva vidas e promove saúde permanece invisível, as manchetes dedicam-se exclusivamente ao que falha.

Não se trata de atacar as premissas do Jornalismo, que deve sempre pautar-se pelo interesse coletivo, mas sim de questionar a quem serve essa desqualificação constante da ousadia brasileira de perseguir a saúde como direito e não como mercadoria.
Quando essa lógica impera, é preciso coragem para dizer a verdade. E a verdade é que uma mulher, cujo companheiro é médico e foi ministro da Saúde, optou por fazer seu pré-natal e ter seu parto no SUS, sem nenhum tipo de alegoria.

Foi um hospital do SUS que diagnosticou, nessa mulher, uma doença grave, maior causa de morte materna no Brasil. Diante do risco de vida à mãe e ao bebê, o tratamento adequado: a interrupção precoce da gestação por uma cesárea. Prematura, nossa filha teve de permanecer na UTI Neonatal deste hospital por 28 dias. Thássia por 24h na UTI Adulto.

Não foi fácil suportar neste período a disseminação de mentiras, baseadas na referida matéria. Perdemos a conta das vezes que nós e os profissionais que as atenderam tiveram que desmenti-las quando confrontados.

Como médico, posso afirmar: o desfecho poderia ter sido outro. Porém, permito-me dizer, pela primeira vez publicamente, após ter ganho esta causa na Justiça: não exagero ao afirmar que minha companheira e minha filha foram salvas no SUS real e por seus profissionais de verdade.

Durante este período, duas coisas nos indignaram sempre, particularmente por ser médico e Thássia jornalista. Primeiro um jornalista e um veículo de comunicação fazendo o mal jornalismo, enfim judicialmente condenados. Segundo, profissionais médicos se disporem a criar e reproduzir inverdades sobre o quadro clínico e assistencial de uma mãe e de um bebê. Na nossa família sofremos até a tortura. Aprendemos que é possível esquecer o torturador, mas o crime nunca. Um crime à honra foi cometido em uma situação de extrema fragilidade. Isso jamais será esquecido.

A decisão dessa semana foi um alento em tempos tão sombrios, em que as mentiras e ataques preconceituosos de sempre se disfarçam de jornalismo para tentar confundir a sociedade. Especialmente quando essas mentiras são plantadas por aqueles cujo interesse permanece o mesmo: atacar minha honra em razão da minha permanente defesa ao programa Mais Médicos. Não deixemos nunca de denunciá-los e de lutar para que a verdade vença, pois não é a nós que a mentira interessa.

Aproveito para agradecer aos profissionais do Hospital Maternidade Vila Nova Cachoeirinha e da UBS onde Thássia começou o pré-natal. Eternamente gratos ao seu compromisso e competência, as restrições que enfrentam não os impediram de cuidar e salvar vidas. 
Agradeço também ao trabalho do advogado João Vicente Augusto Neves por ter aceitado o desafio de encarar a mentira e buscar a justiça e a verdade.
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Alexandre Padilha é médico
formado pela Unicamp e especialista em Infectologia pela USP, foi criador do Mais Médicos, ministro da Coordenação Política de Lula e da Saúde de Dilma e secretário da gestão Haddad em São Paulo. Paulistano, cresceu nos bairros do Butantã e Parque Regina/ Campo Limpo e hoje é morador do Centro. Como ministro da Saúde, implementou o Farmácia Popular e a vacina contra o HPV.  Na gestão Haddad, como Secretário da Saúde, implementou o Conselho da Cidade, o Conselho Participativo, os Hospitais Hora Certa e o de Braços Abertos. Foi médico supervisor do Núcleo de Medicina Tropical da USP e acompanhou a formação de médicos residentes e estudantes nas comunidades ribeirinhas, rurais e indígenas da Amazônia no final dos anos 1990. Pesquisou novos tratamentos para malária pelo Fundo de Doenças Tropicais da Organização Mundial de Saúde (OMS) e atuou como gestor federal na área de saúde indígena.
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Faltou ética jornalística e sobraram boatos no nascimento da filha de Padilha, por Maria Frô na Revista Forum - via Jornal do Nassif em 02/junho/2018

"(...) Com todo viés partidário que conhecemos praticado por esta mídia reacionária, poderíamos ao menos celebrar o fato de noticiar algo positivo sobre o SUS; o fato de um político, ex-ministro duas vezes e candidato ao governo do estado de São Paulo tomar juntamente com sua companheira uma decisão coerente com o seu discurso. Mas o que se viu foi um show de desinformação e reverberação do corporativismo de médico reacionários e sem qualquer ética. Os mesmos médicos que fizeram campanha colérica contra o programa Mais Médicos, contra o SUS. Até mesmo um blog da Folha dedicado à maternidade não fugiu à regra e reproduziu links e boatos de uma página fascista de corporativistas com diploma médico. No show de desinformação e ficção a imprensa monopolista espalhou o boato de que Padilha teria levado às pressas sua filha para a UTI de um hospital privado. Nenhum destes veículos sem ética dedicou qualquer tempo para checar se as mentiras ditas na página dos corporativistas reacionários contra o SUS e o Mais Médicos e agora contra Padilha e Haddad eram procedentes. Ao contrário, serviram como megafones de hoax, dos corporativistas com diploma de medicina sem ética médica.

O fundo do poço ainda é superficial perto do nível do jornalismo sem qualquer ética praticado nos meios monopolizados de comunicação. A boataria e desinformação foi tão grande que provocou a Secretaria Municipal da Saúde a publicar uma nota esclarecendo o ocorrido.

Todos os médicos que atenderam Thássia eram dos SUS, nenhum residente foi retirado da sala de cirurgia, não houve transferência nem do bebê nem da mãe para hospital privado, dado que a maternidade municipal de Vila Nova Cachoeirinha é referência e tinha todos os recursos humanos e tecnológicos para atendê-las e a todas as mães e bebês que fazem uso deste equipamento público..."
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