30 de outubro, 2017
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Silvio Santos derrota Teatro Oficina, mas quem perde é a cidade de São Paulo (2)

Fora do personagem, Silvio Santos é só um tio do pavê rico, que despreza sua cidade e se acha imortal. Por Kiko Nogueira no DCM em 29/out/2017: imagem capa: O projeto de Edson Elito e Lina Bardi para o Teatro Oficina e seu entorno.

O momento mais revelador do colóquio entre Silvio Santos e José Celso Martinez Corrêa é quando este último lhe cobra generosidade ou algum senso de responsabilidade pública....

O momento mais revelador do colóquio entre Silvio Santos e José Celso Martinez Corrêa é quando este último lhe cobra generosidade ou algum senso de responsabilidade pública.

— Você é um homem super-rico, supergeneroso!, diz o dramaturgo.

— Eu tenho culpa de ser rico? Eu dei sorte, e daí? Você não deu ainda, problema teu, responde Silvio.

— A gente tem que pensar na cidade, cara. Eu tenho 80 anos e ele tem mais do que eu [Silvio tem 86]. Daqui a pouco a gente some do mapa. No entanto, a cidade fica. Você sabe disso.

— Eu não quero morrer. Não vou morrer, devolve o apresentador, enquanto os circunstantes se divertem.

Zé Celso estava tentando apelar para um sentimento que seu interlocutor não tem: o de que ele deveria devolver — ao menos pensar em devolver — ao lugar que o acolheu uma parte da fortuna que amealhou ali.

Em Nova York, para ficar apenas num exemplo, a sede da ONU está num terreno doado por John D. Rockefeller.

Mas Silvio é de outra cepa. O octogenário prefere se afundar numa grana que não vai usar e erguer “torres residenciais” vizinhas ao prédio reformado por Lina Bo Bardi onde fica o Teatro Oficina. A cara da plutocracia nacional.

O sujeito que aparece naquela reunião é o SS da vida real. Não o bufão do domingo, mas um milionário ordinário cujo única motivação é colecionar moedinhas.

Aos domigos, com sua peruca, uma certa incontinência verbal, o carisma, a nostalgia, é fácil esquecer que ele contratou um time de comentaristas que Mussolini não teria montado.

A conversa com Zé Celso, Doria e e Eduardo Suplicy (que não abriu a boca) mostra que, fora do personagem, existe somente um tio do pavê rico, vaidoso e falastrão, cercado de puxa sacos, que acha que vai durar para sempre.

O Brasil está na mão de gente desse tipo. Ha-hai.
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Assista o vídeo:

DCM DIARIO DO CENTRO DO MUNDO: “Você vai se ferrar. Vou transferir a cracolândia pra lá”, diz Silvio Santos a Zé Celso em reunião sobre o teatro Oficina - Por Kiko Nogueira -  29/out/2017


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Assista e leia também:
Zé Celso, em vídeo: o Oficina re-existirá! por Mauro Lopes - Redação - 27/10/2017

Apaixonado e didático, diretor explica: como o Condephaat foi manipulado por Alckmin para emparedar teatro e favorecer Grupo SS; por que o Oficina precisa de seu entorno; qual a importância de defendê-lo, na luta contra retrocessos e censura

O Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) voltou atrás em decisão de setembro de 2016 e, na última segunda-feira (23) liberou a construção de um enorme complexo imobiliário residencial e comercial do grupo de Silvio Santos no entorno do Teatro Oficina e de outros prédios históricos tombados na região do Bixiga.

“Depois do golpe aquilo [o Condephaat] tá virando o Conselho do Patrimônio da Especulação Financeira”, disse José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, um dos maiores nomes da história do teatro brasileiro e o grande líder do Teat(r)o Oficina desde sua fundação, em 1958, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP).

A vitória de Silvio Santos só foi possível porque o governo Geraldo Alckmin mudou a composição do Condephaat, o que permitiu a votação de 15 votos a 7, na segunda –“tivemos até mais votos que esperávamos”, Zé Celso. São 37 anos de luta, desde que, em 1990, Silvio Santos anunciou a intenção de construir um grande empreendimento imobiliário em terrenos de sua propriedade na região.

O projeto insere-se num contexto, Zé Celso, de um verdadeiro “genocídio da população do Bixiga, a expulsão dos moradores pobres, os da rua, os que eles chamam de favelados”. Assista o vídeo-reportagem do Oficina com a entrevista de Zé Celso e imagens históricas da luta pelo patrimônio e a cultura na cidade e no país.

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O manifesto poético do Movimento #VETAasTORRES e a nota de esclarecimendo do Teatro Oficina

MOVIMENTO #VETAASTORRES por REDAÇÃO 26 OUTUBRO
ANHANGABAU DA FELIZ CIDADE, ANTROPOFAGIA, BEXIGÃO, DIREITOS HUMANOS, HEADER, MANIFESTOS, MENU, SLIDER, UNIVERSIDADE ANTROPÓFAGA 6536 
#FICAOFICINA
AMANTES AMADAS Y AMADOS
INICIAMOS HOJE UM MOVIMENTO DOS ARTISTAS DO BRASIL Y DO MUNDO, COM O POVO BRASILEIRO PARA Q ENVIEM PARA AS AUTORIDADES DO GOVERNO DE SÃO PAULO PEDIDOS DE VETO AO ASSASSINATO CULTURAL DA OBRA DE ARTE TEATRO OFICINA Y SEU ENTORNO TOMBADO.
NA MANHÃ DE SEGUNDA-FEIRA, 23 DE OUTUBRO, O CONDEPHAAT – CONSELHO DE DEFESA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO, ARTÍSTICO, ARQUEOLÓGICO E TURÍSTICO DO ESTADO DE SÃO PAULO –  LIBEROU AO GRUPO SS A CONSTRUÇÃO DE TORRES DE APARTAMENTOS NO BAIRRO DO BIXIGA...
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YOUTUBE * Teatro Oficina Uzyna Uzona - Publicado em 26/out/2017

Zé Celso fala sobre a decisão do CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) que favorece a construção das Torres do Sílvio Santos no terreno em torno ao Teatro Oficina.
Artistas! Público! Povos do Brasil e do Mundo!
NÃO VAMOS PERMITIR ESSE MASSACRE ! COMPARTILHEM ESTA MENSAGEM!


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Leia também: 

Silvio Santos derrota Teatro Oficina, mas quem perde é a cidade de São Paulo (1) - Jornal do Nassif - 29/out/2017

Existe na cidade de Nova York - Estados Unidos, um parque que é o cartão postal da cidade: o Central Park, com enorme dimensões: 4,5 quilômetros por 800 metros, que equivale a 51 quarteirões de sul para norte, com grandes gramados, muitas árvores, dezenas de arcos e pontes, uma pista de patinação e até mesmo um zoológico.

E assim como outros parques no mundo, ele não é natural, aquela área era pantanosa e cheia de rochedos. Foi desapropriada e a obra teve mais de 30 mil operários, que chegavam a trabalhar 14 horas por dia, durante 13 anos até ser inaugurado em 1873 - num custo estimado de US$ 500 milhões, atualizando os valores para os dias de hoje. Estas informações estão na publicação Central Park – Um pouco de história de 19/set/2010.

Mas o que isso tem a ver com Silvio Santos versus o Teatro Oficina, tendo a frente o mais antigo grupo teatral do Brasil, dirigido pelo dramaturgo José Celso Martinez, o Zé Celso?

Simples: você acham que, caso tivesse em SP ou no Rio de Janeiro uma area como o Central Park, numa região valorizada da cidade, inaugurado há quase há quase 150 anos, ela existiria ainda, sem qualquer invasão ou descaracterização? É isso que ocorre com o patrimônio histórico no Brasil e agora atinge o Teatro Oficina e uma das regiões antigas de São Paulo. Marcelo Nassif, por Jornal do Nassif (*) foto:vista interna do Teatro Oficina
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José Celso Martinez e Sílvio Santos estão no papel deles, o que falta é um prefeito. Por Joaquim de Carvalho - Por Joaquim de Carvalho no DCM em 30/out/2017

"(,,,) Mostra que João Doria não é o líder de que a cidade precisa para administrar conflitos — em essência, a urbe é um centro de conflitos.
A reunião termina sem solução e Doria, personagem secundário no vídeo, mostra que não é mais do que um um profissional que conhece técnicas de marketing – no caso, para vender...

(...) Sílvio Santos não precisa mais de dinheiro e nem é o dinheiro especificamente que o move naquela conversa.
É uma visão de que precisa realizar e acredita que só o dinheiro pode transformar as coisas. E que tudo e todos têm algum preço...

Já José Celso Martinez se move por idéias.
O concreto desumaniza e é preciso utilizar os espaços a partir do princípio de que o homem em sua essência deve ser alvo de todas as ações..."


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LINA BO BARDI, arquiteta, artista plástica, designer de móveis e joias, cenógrafa, figurinista, professora, museógrafa, figura feminina de destaque. O Teatro Oficina foi um dos últimos projeto de Lina Bo Bardi (1914-1992),

Imagem: Aquarela de Lina Bardi para concepção do Oficina pé na estrada. Uma pista "dando para as catacumbas do Silvio Santos" o Teatro de Estádio...

E outras obras de destaque dela são o prédio do MASP Museu de Arte de São Paulo, na Avenida Paulista e o SESC FÁBRICA POMPÉIA - também em SP. - fotomontagem abaoixo inclusive ela.

E no Projeto do TEATRO OFICINA está previsto o uso dos terrenos no entorno dele (de propriedade do empresário Silvio Santos), com a proposta de permuta com outros imóveis da União.

E naquele local, a última área livre, sem qualquer construção, no centro de SP, se tornaria um polo cultural, sem torres ou prédios de cimento. Fotomontagem: Camila Fernandes por ocasião do centenário de Lina Bo Bardi (1914-1992)

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