31 de agosto, 2017
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Geoffrey Robertson: Lula não está tendo um julgamento justo, Legado de Lula por Abel Neto

Representante do ex-presidente Lula na ação que a defesa apresentou junto ao Comitê dos Direitos Humanos da ONU, contra abusos praticados pela Operação Lava Jato contra o petista, o advogado australiano Geoffrey Robertson participou nesta quarta-feira 30 de um debate sobre o assunto em comissão no Senado.

Legado de Lula, por Abel Neto - 31/ago/2017

Em sua fala, ele fez duras críticas contra as delações premiadas no âmbito da Lava Jato. “Presos dirão o que seus algozes quiserem pra serem liberados. Delações premiadas são questionáveis. É uma prática medieval, é uma tortura”, disse.

O advogado, que é referência mundial no tema dos Direitos Humanos, ressaltou ser “crucial garantir que Lula tenha um processo justo”. “E eu não acho que o que acontece agora seja um processo justo”, afirmou.

Leia mais na reportagem da Agência Senado sobre a audiência: 

CDH debate queixa do ex-presidente Lula ao Comitê de Direitos Humanos da ONU

A queixa apresentada pela defesa do ex-presidente Lula ao Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas foi tema central em um debate nesta quarta-feira (30) na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). Os participantes da audiência defenderam o direito do ex-presidente ao julgamento imparcial e criticaram alguns procedimentos da Operação Lava-Jato.

O advogado australiano Geoffrey Robertson atua na defesa dos direitos humanos e das liberdades civis e representa o ex-presidente Lula na queixa apresentada por ele ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas. Na queixa, a defesa alega que o julgamento do ex-presidente pelo juiz Sérgio Moro tem desrespeitado garantias fundamentais do Estado Democrático.

Na audiência, Robertson disse que todo cidadão merece um julgamento imparcial e questionou o uso das prisões preventivas que tem sido feito na Operação Lava-Jato. Para o advogado, que fez sua apresentação com tradução simultânea para os presentes, há um alargamento proposital do período de detenção para que os investigados, pressionados psicologicamente, fechem acordos de delação premiada.

— Muitas vezes acontecem delações premiadas questionáveis. Essas delações também acontecem com uma grande redução das sentenças, as pessoas recebem apenas uma fração da sentença que deveriam receber — destacou.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) defendeu investigação parlamentar sobre o que classificou como “abusos da Lava-Jato” e criticou a postura do Judiciário que permite o tratamento diferenciado, de acordo com a origem e a cor do cidadão.

— O filho de uma desembargadora que foi pego com quilos de droga dentro do carro não ficou preso nem uma hora, foi solto. Nós temos um outro rapaz que participou das manifestações de 2013, e foi pego com dois vidros de desinfetantes e ele está preso até agora. A diferença é que ele é negro e pobre — reclamou.

O representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Carlos Moura, falou sobre a diferença de tratamento dada pela polícia brasileira para cidadãos pobres e negros e sugeriu que o advogado de direitos humanos Geoffrey Robertson se debruçasse sobre o instituto do “auto de resistência”, registro policial que tem sido usado para justificar execuções sumárias, sob a alegação de que houve resistência à prisão por parte da vítima.
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Leia também: atualizado em 02/set/2017 - 00h22



Jornal GGN: A desmoralização do direito brasileiro nas cortes internacionais, por Luís Nassif e Cíntia Alves - SEX 01/09/2017 18:11 * ATUALIZADO EM 01/09/2017 18:17 - Foto: Ricardo Stuckert - Instituto Lula

Especialista em direitos humanos e na legislação internacional da matéria, o advogado australiano Geoffrey Robertson assumiu a defesa de Lula perante as cortes internacionais de direitos humanos.

Na manhã dessa sexta-feira (1º), ele concedeu entrevista exclusiva a Luís Nassif e Cintia Alves, do Jornal GGN.

Robertson falou sobre sanções que o Brasil pode sofrer por desrespeitar decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos; abordou polêmicas em torno da cooperação internacional com os Estados Unidos; mostrou que é necessário adequar a legislação brasileira aos padrões internacionais de direitos humanos e não poupou críticas ao juiz curitibano que condenou Lula no caso triplex. "O juiz [Sergio] Moro não responde a ninguém e essa é a tragédia do Brasil", disparou... continua (link no título da matéria)
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